domingo, 29 de julho de 2007

Lista de Imigrantes do vapor Ville de Santos de julho de 1875

Em 1870, com o fim da Guerra do Paraguai, o movimento abolicionista ganhou força no Brasil. Preocupado com a substituição da mão-de-obra escrava, o fazendeiro Pietro Tabachi, favorecendo-se do decreto 5295 do Governo Imperial de 31 de maio de 1873, fez intensa divulgação de oportunidades de trabalhos assalariados no Brasil em toda a região norte da Itália (Alta Itália) e parte da Austria. Simultaneamente, o Governo Imperial resolveu dar continuidade à colonização da região sul do país. Para isso, o Imperador D. Pedro II celebrou, em 30 de junho de 1874, com o Sr. Joaquim Caetano Pinto Junior um contrato para trazer 100 mil imigrantes europeus ao sul do Brasil num período de 10 anos. A primeira viagem de imigrantes foi feita pela expedição Tabachi em 3 de janeiro de 1874, do porto de Genova na Itália. Vieram no navio a vela de bandeira francesa, La Sofia, 386 italianos que foram contratados para trabalhar nas terras particulares de Pietro Tabachi, colônia Nova Trento, em Santa Cruz no Espírito Santo. Estes imigrantes, ao sentirem-se enganados pelo Sr. Pietro, acabaram se dispersando em diversas colônias da região. No dia 17 de abril de 1875, partia do porto de Havre na França, o navio francês Rivadávia, com a segunda leva de imigrantes da expedição Tabachi. A bordo do Rivadávia vieram 350 tiroleses, cuja lista de passageiros até hoje não foi encontrada. Estes imigrantes foram encaminhados para o Espírito Santo, onde fundaram com subsídios do Governo Imperial a colônia Santa Tereza.
Enfim, no dia 11 de junho de 1875, foram embarcados no vapor Ville de Santosem Marseille na França, 279 imigrantes com destino ao sul do país. Vieram nesta embarcação 216 tiroleses, 28 franceses, 31 italianos e 4 suiças.
Veja a declaração feita pelo agente de imigração em Marseille:
“Je soussigné TABIASCO, agent d’emigration à Marseille, declare avoir embarqué dans le vapeur Français VILLE DE SANTOS aller à RIO DE JANEIRO les passagers a dessous mentionnés pour le compte de M. JOAQUIM CAETANO PINTO JUNIOR, concessionnaire. Marseille 11 Juin 1875.”
“Eu abaixo assinado TABIASCO, agente de imigração em Marseille, declaro ter embarcado no vapor francês VILLE DE SANTOS com destino ao RIO DE JANEIRO os passageiros abaixo mencionados pela conta do concessionário Sr. JOAQUIM CAETANO PINTO JUNIOR. Marseille 11 de junho de 1875.”


Antes de vir para o Brasil, o navio Ville de Santos passou ainda pelo porto de Le Havre na França onde, provavelmente, foi carregado para seguir viagem no dia 18 de junho, chegando ao porto do Rio de Janeiro no dia 16 de julho de 1875.
“Je soussigné BUGAULT, commandant le vapeur VILLE DE SANTOS, reconnais avoir pris à mon bord les passagers ci-dessous mentionnés pour les conduire à RIO DE JANEIRO. Havre Le 18 Juin 1875.”
“Eu abaixo assinado BUGAULT, comandante do vapor VILLE DE SANTOS, reconheço ter colocado a meu bordo os passageiros abaixo mencionados para conduzi-los ao RIO DE JANEIRO. Le Havre 18 de junho de 1875.”
Não se sabe o destino de todos os imigrantes constantes nesta lista, mas como estes imigrantes vieram através do contrato com o Sr. Joaquim Caetano Pinto Junior cujo objetivo era povoar a região sul, é provável que todos eles tenham sido distribuídos pelas colônias do sul do país. Os membros da família Briatore que vieram no navio foram enviados para a Colônia Assungüy (Cerro Azul – PR).

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Árvore Genealógica I

O avô Vittorio Briatore (1826-189-) e a avó Felicitá Pellazza (1841-1915) saíram de Priola – Itália em junho de 1875 e embarcaram no navio Ville de Santos com destino ao Brasil, no dia 11 de junho deste mesmo ano no Porto de Marseille na França.Eles chegaram ao Porto do Rio de Janeiro no dia 16 de julho de 1875 e foram enviados para a Colônia Assungüy, que é hoje a cidade de Cerro Azul-PR. O casal teve seis filhos: Emílio, Eugênio, Laurina, Anselmo,Vergílio e Clementino. Destes, os dois primeiros são italianos, a Laurina nasceu no navio e os demais nasceram aqui no Brasil.Para conhecer as gerações de cada um deles veja a Árvore Genealógica da família. Caso identifique nomes ou datas erradas ou quiser efetuar a inclusão de pessoas deixe um comentário.

domingo, 1 de abril de 2007

As variações do sobrenome no Brasil

Na pesquisa sobre a história da família Briatore no Brasil, a identificação da grafia original do sobrenome foi a maior barreira que encontrei. Nosso sobrenome sofreu alterações desde a chegada dos primeiros membros da família em agosto de 1875, e, nenhum dos sobrenomes atuais conserva a escrita original. Por outro lado, a análise destas variações me permitiu ligar distintas gerações da família. Hoje, com os dados que tenho, é possível identificar o grau de parentesco de quase todos os membros da família.
Um dos fatores que contribuiu para a alteração do sobrenome Briatore é que o governo imperial, através dos agentes colonizadores, promovia alterações nos costumes, na língua e também nos nomes dos imigrantes com a justificativa de facilitar a pronúncia e a escrita. Por outro lado, os membros da família Briatore que vieram para o Brasil só falavam italiano e a dificuldade em se comunicar com os escrivões brasileiros acabou gerando as seguintes variações do sobrenome: Briattore, Briattori, Briatori, Brilhadori, Brilhadore e Brilhador.
Na região norte do estado de São Paulo há pessoas com o sobrenome Brigliador, Brigliadore e Brigliadori. Mas, como existe a família Brigliadori na Itália, ainda não é possível dizer se estes sobrenomes têm origem do sobrenome Briatore.
Neste emaranhado de variações, a certeza da grafia só veio no início de 2007 quando descobri num documento assinado pelo avô Vittorio, no dia 20 de dezembro de 1875, a assinatura Briatore Vittorio. Ou seja, todos aqueles que tiverem a descendência do Vittorio, terão Briatore como grafia original do seu sobrenome.
Em breve estarei publicando uma árvore genealógica em que aparecem os membros das cinco gerações da família no Brasil. Com isso, os visitantes do blog, que porventura pertençam à família, poderão identificar sua ramificação e deixar seus nomes para serem incluidos na lista.